segunda-feira, 3 de junho de 2013

SAUDADE E ESPERANÇA NA DESPEDIDA DOS AFLITOS


Depois do jogo, as poucas luzes ligadas nos Aflitos prenunciavam o futuro do estádio. Foto: Fábio Jardelino/NE10

O senhor vira de lado na arquibancada. Assiste ao final do jogo entre Náutico e Portuguesa apenas com o canto do olho.  Parece não querer ver o que se passa no gramado - mas não consegue evitar uma eventual olhadela furtiva. Enverga com orgulho uma camisa antiga do Timbu - tão surrada por ter visitado aquele estádio vezes sem fim. Como seu dono, que aparenta estar em algum ponto indefinido  entre os 60 e os 70 anos. "É o último", diz, quase sem acreditar no que fala. "É o último", repete, mais para si mesmo do que para o amigo que está ao lado. Entre triste e feliz. Entre a dor da separação e a esperança. Entre os lembranças do passado e os desejos para o futuro, aquele homem reflete a dualidade que cada alvirrubro sentiu no último domingo dos Aflitos como o conhecemos.
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O caldeirão que tantas vezes esquentou os adversários do Timbu virou, neste domingo, um caldeirão de emoções. O dia era especial para quem vestia vermelho e branco. Desde o início, já se sabia histórico. O estádio que viu Bita e Companhia conquistarem o hexa e encantarem o Brasil. Que abrigou Jorge Mendonça e Marinho Chagas. Que serviu de palco para Baiano e Nivaldo brilharem. Que erigiu Kuki. Esse estádio - uma construção que transcende sua estrutura em concreto- iria fazer parte apenas da memória.

Alvirrubros lotam entrada lateral do estádio. Foto: Rodrigo Lôbo/ JC Imagem

Momento de encontro entre passado, presente e - sobretudo- futuro. Olhar para trás e para frente. Era sobre isso que essa despedida tratava. Alexandre de Barros Carvalho, sobrinho-neto do Eládio que dá nome aos Aflitos, dizia-se preocupado com a mudança. "Eu, até por ter uma ligação familiar com esse estádio, acho complicado a gente sair dos Aflitos. Ele representa o Náutico. É a nossa casa. Tenho medo de perdemos a identidade", afirmou. O advogado Sérgio Albuquerque é mais otimista. Acredita que o momento é importante para a mudança. "Estou um pouco triste porque o estádio dos Aflitos virou uma espécie de segunda casa nos últimos anos, mas torcendo para que dê tudo certo para nós na Arena Pernambuco. E tenho certeza de que o Náutico vai conquistar muita coisa lá", garantiu.

O torcedor-símbolo Mister N se recusava a fazer a despedida do estádio. Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem
A inscrição nas costas das camisas dos jogadores alvirrubros ganha eco nas arquibancadas. Aflitos Eterno. "Nunca vou esquecer desse estádio. Podemos ir para a Arena e tudo o mais, mas a gente nunca vai esquecer esse lugar", disse. O aposentado Sebastião Balbino definiu bem. "Em algum momento isso iria acontecer. A modernização chegou. Temos de torcer para que tenhamos tantas conquistas na Arena quanto tivemos nos Aflitos", afirmou.
E, neste pedido, falava por toda a torcida do Náutico. Com o agora antigo estádio fica uma parte da alma do clube. Que ela seja resgatada na nova casa. Que o futuro - na Arena Pernambuco dos elevadores e escadas rolantes- seja tão  glorioso quanto o passado que os Aflitos do balança-mas-não-cai encerra, oficialmente, neste domingo.

Fonte: Blog do Torcedor

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