segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PT e PSDB polarizam eleições no Brasil há vinte anos

FHC e Lula protagonizam uma polarização de duas décadas.
Nessa eleição, assistimos a mais uma eleição do segundo turno, em que um candidato veste a camisa vermelha com a estrela do PT, e outro carrega o tucano, símbolo do PSDB. Essa é a sexta eleição seguida em que as duas legendas protagonizam eleições presidenciais. Dois partidos relativamente novos, pois o PT foi fundado em 1980 e o PSDB em 1988.

A única eleição em que os dois partidos não polarizaram após a volta das Diretas foi em 1989, quando o PT de Lula disputou (e perdeu) o segundo turno contra Fernando Collor de Melo, então no PRN. O PSDB foi coadjuvante naquela eleição, com Mário Covas, perdeu no primeiro turno, e curiosamente, no segundo turno, a legenda tucana apoiou os que hoje são seus adversários. O PSDB apoiou Lula na segunda etapa daquela eleição.

Em 1994, os dois partidos protagonizariam seus primeiros embates. O PSDB tinha seis anos de existência, e o PT existia havia quatorze anos. O PSDB havia se afastado do PT e se uniu a tradicionais adversários petistas, como o PFL. Era época de Plano Real, criado pelo então ministro da Fazenda de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, lançado para disputa eleitoral daquela era. Era um tempo de descrença na política, principalmente por que o primeiro presidente eleito diretamente após a ditadura havia sido afastado por corrupção em 1992.

Lula liderava todas as pesquisas, até agosto, quando começou a cair. FHC explorou em sua campanha o Plano Real. Resultado: Fernando Henrique venceu a eleição no primeiro turno. O PSDB assumiu o país com uma política neoliberal, afastando de vez os tucanos de seus antigos aliados. Lula chegou a dizer em uma entrevista, em 1997, que "pensava que FHC havia se juntado à direita (PFL) apenas para vencer a eleição, mas não foi o que aconteceu. O PFL havia tomado conta do ex-socialista Fernando Henrique".

FHC e Lula tinham uma relação de amizade - que não deixou de existir, pra falar a verdade - desde os anos 70. Lula apoiou a eleição de Fernando Henrique para o Senado, em 1978.


No dia do trabalhador em 1978, era interessante ver em frente a uma montadora em São Bernardo do Campo, duas pessoas distribuindo panfletos para os trabalhadores. Eram um magro de 47 anos e um de bigode no alto de seus 33 anos. Eram aqueles que viriam a ser os futuros presidentes do Brasil. Fernando Henrique e Lula estavam juntos distribuindo panfletos. FHC candidatara-se ao Senado e Lula era o seu principal cabo eleitoral.

Voltando aos anos 90, mais propriamente, 1995, Fernando Henrique conduziu uma política econômica neoliberal e assegurou o combate à Inflação, um mal que havia sido batido com o Plano Real, mas que era necessário mantê-lo sob controle. Algumas privatizações foram realizadas, inclusive, a polêmica privatização da Vale do Rio Doce, em 1997, tanto combatida pelos partidos da esquerda, entre eles, o PT.

Alguns programas sociais foram lançados em 1996, como por exemplo, o Bolsa Escola, que destinava uma quantia para que as crianças frequentassem escolas. Em seguida, viria o Vale-Gás e o Bolsa Alimentação.

Em 1997, o Governo FHC enfrentava muitas críticas. O presidente conseguiu na época aprovar a emenda da reeleição para os cargos executivos. O autor da proposta era o deputado Mendonça Filho, do PFL de Pernambuco. Tal emenda foi aprovada, mas houveram muitas denúncias de compra de votos para que fosse aprovada a emenda da reeleição. Na prática, não era algo que daria mais 4 anos automaticamente ao presidente, mas sim, o direito dele concorrer novamente - podia perder ou ganhar.

Em 1998, FHC lançou à disputa da reeleição, tendo mais uma vez, Marco Maciel como vice. E venceu novamente Lula no primeiro turno. Os anos seguintes seriam de muitas dificuldades e uma série de crises, o que prepararia o terreno para a chegada da oposição ao poder. Em 2001, o Brasil passou por uma crise energética, com racionamento de energia, o que atingiu em cheio a popularidade do presidente.

Chegou o ano de 2002. Mais uma eleição presidencial estava para acontecer. Lula se lançaria candidato pela quarta vez. Após três derrotas, o petista parecia finalmente que ia chegar lá, pois liderava todas as pesquisas com uma certa folga. O candidato do PSDB, ex-ministro da Saúde José Serra, não conseguia emplacar.

A eleição foi muito disputada. José Serra conseguiu subir na campanha. Os outros candidatos eram Ciro Gomes (PPS na época), Anthony Garotinho (PSB na época) e Roseana Sarney (PFL na época). Entretanto, denúncias gravíssimas contra Roseana a afastaram da disputa. Iniciou-se então uma richa temporária entre PSDB e PFL. Naquele pleito, o PFL não apoiou ninguém, mas Roseana e seu pai José Sarney apoiaram Lula, o ex-adversário deles.

O PT sempre criticou o PSDB por se unir à direita, mas a própria legenda petista também se aproximou de legendas conservadoras naquele ano, provocando insatisfação dos esquerdistas do partido. Lula escolheu para vice o empresário mineiro José Alencar, do PL. O PSTU criticou duramente o PT por tal aproximação.

Lula foi para o segundo turno contra Serra. Todos os candidatos que perderam no primeiro turno correram para apoiar Lula. Serra ficou sozinho. Iniciou-se uma campanha de ataques contra o PT. Na época, até mesmo a atriz Regina Duarte gravou um depoimento dizendo que tinha medo do que ia acontecer com o Brasil em caso de vitória de Lula.

Lula venceu a eleição, com uma boa diferença de votos, e recebeu a faixa de FHC no dia 1 de janeiro de 2003. Lula tinha como prioridade avançar na política social. Logo, o presidente unificou ao programa Fome Zero os programas sociais já existentes - Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás - estava criado o BOLSA FAMÍLIA.

É bom salientar que esse programa de transferência de renda tem sido a tônica das disputas presidenciais. Mas se faça justiça: quem criou esse programa de transferência de renda foi o então governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (na época no PT e hoje no PDT), programa que foi ampliado a nível nacional pelo PSDB e ampliado com o PT.

No governo Lula, o Nordeste, que andava meio esquecido, passou a receber mais atenção. Vieram pra cá diversas obras de melhorias, estradas duplicadas e asfaltadas, transposição do Rio São Francisco, entre várias outras obras que melhoraram a cara do Nordeste. Mas o ponto negativo da era PT foram as inúmeras denúncias de corrupção envolvendo petistas e aliados. Em 2005, estourou o Escândalo do Mensalão, que consistia em compra de votos para aprovar projetos do governo. Entre os acusados, estavam José Dirceu e José Genoíno, entre outros nomes petistas. Eles foram julgados e presos alguns anos mais tarde.

Em 2006, Lula venceu, novamente em segundo turno, um tucano, dessa vez, Geraldo Alckmin.
Lula fez um segundo governo com melhores resultados do que o primeiro. Em 2010, Lula saiu e anunciou Dilma Rousseff como sua sucessora. José Serra era seu oponente. Serra liderava algumas pesquisas, mas caiu no decorrer da campanha e Dilma foi eleita presidente.

Chegamos em 2014. A polarização parecia chegar ao fim, pois Marina Silva, do PSB (ex-PT e PV), chegou a liderar algumas pesquisas. Marina assumiu a candidatura com a morte do presidenciável Eduardo Campos, em agosto de 2014. Mas um surpreendente crescimento de Aécio Neves, do PSDB, na reta final, provocou um segundo turno mais uma vez entre o PSDB e o PT. Aécio disputa contra Dilma, que tenta a reeleição.

No próximo domingo, saberemos quem venceu mais este embate. O saldo é positivo para o PT: em cinco eleições presidenciais, foram duas vitórias tucanas e três vitórias petistas, sendo estas as mais recentes. No próximo domingo, ou o PSDB empata o jogo ou o PT amplia sua vantagem.

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