segunda-feira, 18 de abril de 2016

Artigo: O Circo dos Horrores

Na tarde e noite desde domingo (17), o povo brasileiro parou diante da tela. Desta vez não se tratava de final de campeonato, como costuma acontecer. Apesar de no Nordestão ter havido partidas entre Bahia x Santa Cruz e Campinense x Sport - onde Santa e Campinense se classificaram - não foi esse o real motivo da parada.

O que estava em jogo ontem era o futuro da presidente Dilma Rousseff (PT). Ontem, o plenário da Câmara votou pelo impeachment da presidente. Com o resultado, o processo encaminhará para o Senado. Caso seja vitorioso por maioria simples (41 votos), a presidente será afastada, abrindo caminho para Michel Temer (PMDB) assumir o mandato.

Mas o que vimos ontem em Brasília foi algo patético. É  verdade que existem muitos problemas no Governo Federal, e a presidente Dilma - avessa ao diálogo, prepotente, e que usou métodos nada generosos para vencer as eleições de 2014, desconstruindo adversários e até prometendo o que não cumpriria -, mas também vemos que o problema não está só no Palácio do Planalto e no Palácio do Jaburu - onde fica o vice-presidente. O buraco é mais embaixo.

O Congresso Nacional foi um verdadeiro circo de horrores na noite de ontem. Deputados que apelavam para suas famílias, suas cidades, e até Deus, num verdadeiro show de demagogia, oportunismo e hipocrisia. Se Dilma errou - e deve ser punida -, muitos desses deputados também devem explicações à nação, pois a maioria deles também foram até mesmo  citados na Lava - Jato.

Pior ainda, mais deprimente, era quem estava à frente do julgamento. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) é réu no STF, envolvido em várias denúncias. Evidente que a pessoa é inocente até que se prove o contrário, mas no caso do presidente da Câmara, não deveria conduzir um processo desse enquanto fosse investigado. Cunha não consegue esconder que a vingança pessoal, e não o amor pelo Brasil, o levou a esse ato.

Poucos deputados que votaram pelo impeachment realmente votaram por pensar no bem do País. Mas outros, em sua maioria, pensavam apenas em seus bolsos. Do outro lado, também vimos muitos excessos. Entre os que votaram contra o impeachment, haviam muitos merecedores de respeito, que até protagonizaram falas que podem ser consideradas as melhores desse circo de horrores, mas haviam aqueles que apenas queriam tapar o sol com a peneira usando o fato da presidente ter tido 54 milhões de votos na eleição passada.

O processo agora caminha para o Senado e esperamos que os nobres senadores não façam a palhaçada que foi vista ontem na Câmara dos Deputados. Minha opinião pessoal continuará sendo na defesa de novas eleições, pois é a única forma de sairmos do buraco onde estamos metidos. A atual presidente não possui mais condições de governar e criar uma agenda positiva para o Brasil. Ela agora promete um pacto caso escape do impeachment - algo que ela poderia ter feito bem antes. Por outro lado, não podemos entregar o Brasil nas mãos de falsos moralistas e investigados pela Justiça. Esse não é o futuro que desejamos para nossos filhos e netos.

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