quinta-feira, 20 de junho de 2019

Política é muito dinâmica. As duas últimas eleições estaduais provam isso

É comum sempre as pessoas, ainda mais nesse tempo de uma tenebrosa polarização entre "direita" e "esquerda", debater política, muitas vezes de forma desrespeitosa e inconsequente. Mas enquanto aqui brigamos por política, entre eles, os acordos são maiores. Um exemplo de dinamismo na política são as duas eleições mais recentes em Pernambuco, onde os dois mesmos candidatos estiveram em dois palanques diferentes num espaço de apenas 4 anos.

O atual governador Paulo Câmara (PSB) e o ex-senador Armando Monteiro Neto (PTB) experimentaram de perto a sensação de serem apoiados por dois grupos diferentes em duas eleições. 

2014: Paulo Câmara foi escolhido pelo então governador Eduardo Campos (PSB) como seu candidato ao governo de Pernambuco. Campos, com sua capacidade de articulação política, conseguiu reunir em seu palanque diferentes partidos, como PCdoB, PMDB, PSDB e DEM, chegando mesmo ao ponto de trazer para seu lado dois ex-adversários: os ex-governadores Jarbas Vasconcelos e Mendonça Filho. Enquanto isso, do outro lado, o então senador Armando Monteiro, que havia rompido com Eduardo, construiu sua candidatura, com apoio do PT e do PDT. Armando teve o apoio da então presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. 


Era uma época que o PSB e o PT haviam se distanciado, e o PSB teve naquela eleição em Pernambuco apoio até mesmo de setores da direita. Enquanto isso, Armando tinha o apoio dos petistas e de setores de esquerda. Paulo havia escolhido para vice Raul Henry (PMDB) e para senador Fernando Bezerra Coelho (então no PSB). Já Armando tinha como vice Paulo Rubem (PDT) e para senador João Paulo (na época no PT).

Armando levava vantagem na corrida, mas a morte de Eduardo Campos mudou o curso da eleição e Paulo cresceu e venceu no primeiro turno. 

2018: Os mesmos dois candidatos que polarizaram as eleições quatro anos antes voltam à ativa. Mas com uma diferença: o PT, que havia apoiado Armando, apoiaria Paulo, inclusive com uma das duas vagas ao Senado. Já o PSDB e o DEM, que haviam rompido com Paulo, apoiaram Armando, com as duas vagas para o Senado. Dilma havia sido afastada por um impeachment e Michel Temer (PMDB) era o presidente, e o cenário político havia mudado completamente, principalmente pelo crescimento da chamada "direita"com Jair Bolsonaro (PSL). 

O PT, na realidade, lançaria Marília Arraes, ferrenha opositora de Paulo. Mas Humberto Costa conseguiu fazer o partido se aliar com Paulo Câmara, apesar de muita resistência. Paulo escolheu para senadores Humberto Costa e Jarbas Vasconcelos (PMDB), uma dobradinha tida como impossível até bem pouco tempo atrás. A vice foi Luciana Santos (PCdoB). Já Armando, que tinha como vice Fred Ferreira (PSC) e ofereceu duas vagas ao Senado ao PSDB, com Bruno Araújo, e o DEM, com Mendonça Filho. Os mesmos setores que apoiaram Armando em 2014 apoiaram Paulo em 2018, enquanto os grupos que estavam com Paulo em 2014 migraram para Armando em 2018.

Paulo venceu de novo no primeiro turno e ainda elegeu Humberto e Jarbas. Paulo conseguiu ter sucesso sendo apoiado por dois grupos diferentes, enquanto Armando, no mesmo caminho, não logrou êxito. 

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