sábado, 3 de março de 2018

Por 8 votos a 6, Projeto de Lei do parcelamento das dívidas do LIMOPREV é rejeitado

Por 8 votos a 6, o projeto de Lei 001/2018 foi rejeitado na Câmara Municipal de Limoeiro na noite desta sexta-feira (2). O projeto, que previa o parcelamento da dívida do LIMOPREV em 200 meses, para ser aprovado, precisava de 10 votos favoráveis, no mínimo.

A reunião realizada ontem foi uma das mais tensas e nervosas da história. O plenário ficou lotado, e várias pessoas se manifestaram, tanto de um lado como do outro. A sessão seguiu o curso normal com a apresentação de alguns requerimentos. Mas depois, quando se começou a discutir o assunto do Limoprev, ânimos se exaltaram. Duas emendas ao projeto do vereador Zé Higino (PP) foram apresentadas, sendo uma rejeitada e a outra aprovada nas comissões.

Na noite de ontem, foram escolhidos os membros da CPI do LIMOPREV: Zé Higino será o presidente, Daniel do Mercadinho será o vice, Marcos Sérgio será o relator, e os vereadores Batalha dos Mendes e Ronaldo Morais serão os membros. 

O primeiro a falar foi o vereador Zózimo Albuquerque (PRB). O vereador falou que o parcelamento seria muito importante, e que Limoeiro corria o risco de parar caso não fosse aprovado. Zózimo convocou os vereadores a votarem favoravelmente ao projeto. Em seguida, foi a vez de Robertinho Galvão (PSD) se pronunciar. Ele, além de votar contra o projeto, negou que a cidade iria parar, amparado inclusive por um artigo na Constituição Federal de 1988, onde determina que os municípios recebem normalmente recursos federais, independente da situação financeira. Um dos populares que parecia ser favorável ao projeto gritou contra o edil, ameaçando-o de "não ter mais votos por votar contra Limoeiro". O popular se retirou do plenário.

Os ânimos eram exaltados, e Juarez de Convales (DEM), presidente da Câmara, várias vezes tocou a campainha e ameaçou mandar tirar as pessoas dali, por causa das manifestações de palmas ou vaias. Haviam alguns mais exaltados que gritavam palavras de ordem.

Depois, foi Daniel do Mercadinho (PTB) quem se pronunciou. Daniel disse na tribuna que "não baixa a cabeça para barganhas, e que podem tirar meus assessores, mas não tira o meu mandato". Daniel foi um dos mais exaltados em seu discurso, sobrando até para os padres e pastores que haviam gravado vídeos nas redes sociais a favor do projeto. "Eles nem sequer me procuraram e nem aos colegas para saber nossa opinião sobre esse projeto de Lei", criticou, anunciando que votaria contra o projeto.

O quarto vereador a falar foi Beto de Washington (PROS), que falou da importância do parcelamento, e anunciou seu voto favorável. O vereador seguinte, Luiz Antônio (PTB), cobrou a presença de Assis Pedrosa (presidente do LIMOPREV) na Câmara. "Convidamos tanto ele pra cá e ele não apareceu aqui, não sabemos até agora por que ele foge da gente assim", disse o edil. Em seguida, o vereador Marcos Sérgio (PSD) falou e mais uma vez sobrou para Assis Pedrosa: "Se ele tivesse atendido ao nosso convite e tivesse comparecido aqui, isso não estaria acontecendo. Ele também tem culpa em toda essa situação",  criticou.


Em seguida, foi a vez de Zélia de Ribeiro do Mel (Podemos), que também anunciou seu voto favorável ao projeto. Logo depois, o Irmão Jairo (PSB) subiu à tribuna, e não só anunciou seu voto favorável, como ainda defendeu a administração de Joãozinho e chegou até mesmo a alfinetar o ex-prefeito Ricardo Teobaldo e os vereadores de oposição.

Ronaldo Morais (Só Zoeira) (Avante), foi o vereador da vez. Ele lembrou que por ser empresário no setor de eventos, ele sabe o quanto é importante haver o parcelamento do débito do LIMOPREV. Ronaldo anunciou o voto favorável.

Já o vereador Zé Higino (PP) subiu à tribuna, e inicialmente, lembrou que estava na oposição ao prefeito Joãozinho, mas que não pertencia ao grupo de Ricardo Teobaldo, mas tem amigos em ambos os lados. Zé Higino disse que pensou muito sobre seu voto, e deixou a tribuna sem dizer qual seria o seu voto, deixando uma dúvida no ar: é que o voto dele poderia mudar muita coisa.

Bau da Capoeira (PTB) e Batalha dos Mendes (PSB) falaram também a favor do projeto. O último, Marquinhos Paz (PTB), além de falar a favor do projeto, alfinetou o deputado federal Ricardo Teobaldo, dizendo: "Tem um deputado aí que anda fazendo política contra o parcelamento, mas lá em Brasília, votou contra o povo, a favor das reformas de Temer", disse.

Em seguida. o projeto foi à votação. Zózimo Albuquerque, Ronaldo Morais, Batalha dos Mendes, Marquinhos Paz, Bau da Capoeira, Beto de Washington, Zélia de Ribeiro do Mel e Irmão Jairo votaram a favor, enquanto Marcos Sérgio, Luiz Antônio, Robertinho Galvão, Daniel do Mercadinho, Zé Higino e Ciciu (PP) votaram contra. O projeto foi rejeitado, pois teve 8 votos favoráveis e 6 contrários, mas para passar, precisava de 10 votos. O presidente da Câmara, Juarez, só votaria em caso de empate.

Na saída da Câmara, muitas manifestações. O vereador Ciciu foi vaiado, e Marcos Sérgio, na sua saída, foi abordado por um dos manifestantes, que estava muito exaltado, e que foi rapidamente ao encontro dele. Mas não houve agressões. 

Ao fim da sessão, muitas manifestações de lamento da parte dos que defendiam o projeto. Para eles, "Limoeiro acabou de vez". Outros acusavam os vereadores de oposição de "prejudicar Limoeiro com a politicagem".

Já os que eram contrários ao projeto parabenizaram os vereadores da oposição por terem derrotado o projeto. A professora Rosiane Travasssos era uma das que mais comemoravam a rejeição do parcelamento. Para a oposição, o parcelamento só deveria acontecer após a CPI encerrar seus trabalhos.

Essa foi a primeira vez que o prefeito Joãozinho não conseguiu que um projeto seu fosse aprovado na Câmara de Vereadores.

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